Não faço idéia porque diabos resolvi escrever hoje sobre meus amigos. E também nem faço questão de explicar isso, porque não é necessário.
Meus amigos me enchem o saco, me cansam. É verdade, na maior parte do tempo quero distância deles. Prefiro me manter meio alheia à presença constante. Gosto que me façam sentir saudade, que eu sinta muita falta. Infelizmente, eles não me dão chance disso.
Muitos sentem necessidade de ver seus amigos [quase] todos os dias. Precisam falar, tocar, ouvir... eu só preciso saber que estão ali.
Apesar de ser altamente sociável [inegavelmente, eu sou simpática e divertida na convivência] e ter inúmeras pessoas que me querem bem, são poucas destas pessoas que recebem de mim, em troca, um afeto total, um afeto de entrega. São poucas as pessoas que foram homenageadas na minha mais nova tatuagem. Porque amizade representa algo que é bem mais simples do que parece, e por isso mesmo, poucos conseguem senti-la da mesma maneira. Se for citar meus amigos por momentos únicos que passamos juntos, são esses, os mais simples, que serão lembrados. Nada de extraordinário, de grande prova de amizade e o caramba. São principalmente as coisas supostamente pequenas.
A Kika, por exemplo, é lembrada por mim nas tardes de canastra, cigarros e cafés no apartamento do centro. Ali compartilhamos muito de nossas (in)experiências. Ali se construiu nosso carinho, nosso respeito. Rompemos e reiniciamos juntas muitos ciclos. Claro que não posso deixar de lembrar nossa participação especial no curso “como deixar de fumar em sete dias” ou, mais recente, dela servindo café e sorrisos no velório do meu irmão. Encantadora! Passamos meses sem nos ver, sem nos falar, mas a sinto MESMO todos os dias.
Eu me lembro quando a Adri e eu fugíamos [aos 6 anos de idade] de bicicleta e dávamos toda a volta na quadra. Essa era uma aventura realmente radical. Lembro de ficarmos quase todas as noites até tarde sentadas na rede conversando sobre todos nossos [profundos] dilemas. Lembro de aos 14 anos, começarmos a namorar dois melhores amigos [o dela durou anos, o meu acabou em umas duas semanas, era amor verdadeiro]. Claro que lembro também de quando eu pensei estar grávida, que foi à sua casa que corri pra perguntar “e agora?”... amo muito a Adriana, embora já não a veja desde fevereiro, eu acho.
O Alessandro, por exemplo, eu não conheço. Pera, não conheço presencialmente, nunca toquei nele, nunca o abracei e senti sua pele. Mas o Alessandro, desde que o [web]conheci, já compartilhou tantos silêncios comigo no MSN, já me agüentou surtando, já briguei de ficar triste e perder o apetite e chorar por dias, já entrou nas minhas viagens, nas minhas constantes viagens. Às vezes, deixamos de nos falar por meses, talvez isso seja necessário, mas ele está ali. E sei que me ama intensamente.
A minha amizade com a Maraike nasceu entre cigarrinhos e cafés no bar da universidade. Começamos a trabalhar juntas na mesma equipe de pesquisa na universidade. Ela, bem germânica, reservadinha... demorou um tantinho, mas quando a amizade se conquistou, um elo se firmou pra sempre. Eu realmente acredito nisso. E mesmo que nossas vidas tenham tomados rumos distintos, naturalmente, mesmo de longe, acompanhamos e torcemos uma pela outra, com muito, muito carinho.
O Fabrício é um amigo estranho. E talvez por isso, creio que seja o que melhor compreende essa minha necessidade de estar distante, de não ter que ver todos os dias. Ironicamente, é o amigo que mais vejo, com quem mais saio. Mas o Kiki e eu nos tornamos amigos aos poucos, com a troca de experiências, com os desabafos. A confiança nasceu bem devagarinho, mas posso dizer que a ele confio vivências que nunca confiei a mais ninguém. Essa coisa dele ser estranho, sarcástico, ácido e muitas vezes, cínico me atrai, mostra uma sagacidade e um senso de realidade incríveis. Sei que é recíproco. Afinal, ele não confiaria em mim como madrinha de sua filha se não fosse assim. Eu posso dizer que o conheço, e ele a mim. Acho isso bonito.
O Rafael, além de meu amigo pra vida toda, é meu primo. E eu sou sua madrinha de casamento [tudo bem, uma péssima madrinha, que passou mal e quase desmaiou durante toda a cerimônia]. O Rafa é sereno, é justo, é aberto às pessoas, gosta de gente. E é parceiro para todas as aventuras que lhe propõem. Além de cozinhar maravilhosamente bem. Na sofisticação ou nos nossos acampamentos. Lembro do nosso célebre quentão na garrafa pet dentro da churrasqueira [não, não derreteu nem explodiu], lembro das nossas tardes na praia, lembro das conversinhas jogadas fora... lembro dele deixando colocar a cabeça pra fora do carro e gritar enlouquecida no túnel da rota do sol. Amo a simplicidade dessa amizade. Mesmo.
A nega Ale entrou na minha vida como uma parceirona de festas, como aquela que leva alegria aos lugares, aquela que sabe se divertir, se jogar na vida. Mas com o decorrer dos anos, a Alessandra se mostrou entregue, dedicada não só às festas, mas querendo saber mais de mim, preocupada com meu bem-estar, comprometida com os amigos. Inegavelmente, sua alegria de viver [sem clichês] me conquistou e se enraizou na minha vida, na minha alma, no meu coração.
Por fim, a Senhorita Butterfly, ou Sara, se preferirem. É engraçado, mas não gostei nem um pouco dela, quando a conheci. Eu chegava nas aulas de espanhol, sábados pela manhã, depois de festas psicodélicas [sim, minha vida em 2002 era apenas sexo, drogas e rock’n roll] e achava aquela menina toda meiga, toda querida, um porre absoluto. Verdade, cara. Odiava aquilo [ainda não gosto de gente cute, ela é exceção MESMO], e com isso, pode-se dizer que ela sofreu, nos primeiros encontros, a acidez do meu sarcasmo, um certo desprezo. Mas, não sei como cargas d’água, descobrimos uma paixão em comum [fútil] por bolsas. Em dois ou três papos, já começamos a almoçar juntas no Habib’s [pizza cream cheese] e conversar, conversar muito. Ela contando de suas experiências de vivência e viagens fora do Brasil, eu falando sobre minha militância política. Juntas lembro de termos a solução para todos os problemas educacionais do mundo [nas mesas do habib’s]. Mas, de um primeiro momento de antipatia, mesmo com todas as nossas diferenças [e são muitas], descobrimos muitas coisas em comum... e assim dia-a-dia, ou semana-a-semana nós descobrimos que éramos amigas. Hoje, ela é uma das mais importantes na minha vida, e uma daquelas que NUNCA me deixa sentir saudades, daquelas bem presentes. Às vezes eu acho que não mereço a amizade da Sara, porque não consigo me dedicar ao cultivo disso como ela, mas depois eu lembro o quanto a amo... e isso basta.
Não são todas as pessoas que eu realmente amo as listadas aqui. Mas estas são as especiais mesmo, as que correspondem ao que eu mencionei no início deste texto. De alguma forma, elas representam uma amostragem da miscelânea que é meu coração e o espaço neste dedicado às pessoas que mais sentem as coisas com a gente: os amigos.
Também com isso, pode ser que eu mostre que, mesmo que não esteja com vontade de sair junto, de festejar, mesmo que não visite, eu guardo.
Ora, que cafonália toda é essa que eu escrevi? Não sei, mas como esse blog é meu cantinho, uma espécie de refúgio, desde 2004, nele eu despejo as minhas coisas, as MINHAS VONTADES.
Beijoca
P.S. A Josi, a Marcela, a Lisi, a Eriane, a Márcia, a Rita, o Carlos, a Patrícia, a Débora, a Grasi e o Padre Hilário merecem também todas as minhas homenagens, mas não quero escrever mais nada sobre isso agora. Quem sabe, em um outro post... ou não.
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